Ubatuba Sim!

O Velho e o Mar

Essa matéria foi publicada na edição impressa da Revista Ubatuba Sim! lançada em 14/01/2016.

Texto: João Pedro Néia

Fotos: Ana Bernardes

Seu Gino passou a vida inteira tirando o sustento do mar. Aprendeu a sustentabilidade na prática, numa época em que o conceito sequer existia.

Hoje com 72 anos, sai todos os dias com sua canoa a remo para zelar a plantação de mexilhões que possui na Barra Seca desde 1992. Nada muito diferente do que fazia no começo dos anos 50, quando tinha 8 anos e remava da praia do alto até o centro trazendo os cachos de banana que plantava e colhia com o pai, pescador e homem da roça.

Revista Ubatuba Sim 77Nascido no bairro de Itamambuca em 1943, Euzébio Higino de Oliveira, o seu Gino, cresceu plantando cana, mandioca e café. E pescando. Aos 13, passou um ano em Santos vivendo da pesca, época em que, segundo ele, aprendeu a cozinhar. O mar era a fonte de subsistência, farto de peixes, camarões e outras espécies. Apesar da abundância, aprendeu com o pai a só retirar do mar aquilo que pudesse vender ou comer. Já praticava, sem imaginar, a mesma atividade à qual tem se dedicado nos últimos 24 anos.

Em 1966 foi morar na Barra Seca, de onde nunca mais saiu. Casou-se no ano seguinte, criou os filhos e os netos. Recentemente, viu nascer o primeiro bisneto. Sempre envolvido com o mar.

No ano de 1992, Higino começou a se aventurar no cultivo sustentável de mariscos. Através de uma iniciativa do Instituto de Pesca, realizou cursos de produção e manejo e teve acesso aos equipamentos para dar início à própria fazenda marinha. Aprendeu a plantar o marisco, a esperar o tempo certo de desenvolvimento e a manipular o produto para ser comercializado.

As técnicas artesanais exigem paciência e muita dedicação. A fazenda marinha de Seu Gino, na Barra Seca, foi feita com base no conteúdo aprendido nos cursos. Da areia é possível ver tambores flutuantes, bem no canto esquerdo da praia, a mais ou menos 800 metros da orla. O sistema utilizado é o long-line, feito a partir de um cabo mestre colocado horizontalmente sobre a água e que se mantém flutuando por boias. Entre as boias são penduradas as redes de cultivo cheias de semente de marisco.

O período entre a colocação das sementes na água e a colheita dura cerca de 8 meses. É o chamado período de engorda, em que os mexilhões se desenvolvem, atingindo por volta de 8 centímetros, tamanho ideal para o comércio.

Quando volta da colheita, canoa cheia, seu Gino faz a alegria de turistas e moradores. Homem que ama o que faz, não troca sua vida de caiçara por nada. E nós agradecemos!